Após 25 anos, médica relembra a Batalha do Pacaembu: 'Nadamos em sangue'

A médica lembra que a briga ganhou proporções maiores pois o tobogã estava sendo reformado

por Agência Estado

São Paulo, SP, 20 - A "Batalha do Pacaembu", que causou a morte de um torcedor e deixou 102 feridos, durante a decisão da Supercopa São Paulo de Juniores, vencida pelo Palmeiras diante do São Paulo por 1 a 0, em 20 de agosto de 1995, ainda está viva na memória de Ana Maria Visconti.

Única médica presente no tradicional estádio naquele dia, Ana Maria, recém-formada, teve uma "pós-graduação" ao ter de cuidar sozinha de centenas de machucados entre torcedores e policiais militares. "Nadamos em sangue. Ganhei uma experiência muito grande. Foram muitos atendimentos. De todos os tipos", disse a médica, em entrevista à reportagem.

"O grupo de trabalho era pequeno, apenas uma ambulância de UTI, assim como o contingente policial, pois era um jogo de garotos. A equipe seria reforçada à tarde, quando iria ocorrer um jogo do Corinthians, que, evidentemente, foi cancelado", contou Ana Maria.

'Batalha do Pacaembu'
'Batalha do Pacaembu'
MUDANÇAS!

Segundo a médica, que continua o seu trabalho nos jogos em São Paulo, após aquela tragédia a segurança e o trabalho médico foi modificado nos estádios do Estado.

A médica lembra que a briga ganhou proporções maiores pois o tobogã (um dos setores da arquibancada, localizado atrás do gol de fundo do estádio) estava sendo reformado e muito entulho estava no local, transformando-se em armas para os briguentos.

"Foi um horror. Uma briga que não acabava nunca e o número de lesões graves era muito grande", lembrou Ana Maria, que ainda trabalhava no futebol. "Com a pandemia, não temos o público temporariamente e com isso o nosso trabalho diminuiu bastante, mas nada mais será comparável com aquele dia. Ainda bem".